26/01/2010

Apagando o Fogo

O domingo, 24 de janeiro, marcou o primeiro confronto entre dois dos times grandes do país. Botafogo e Vasco fariam o primeiro clássico do Carioca, mas apenas uma das equipes deu as caras no gramado esburacado do Engenhão.

O Botafogo criou certa expectativa graças à contratação do atacante Sebatián “El Loco” Abreu, da seleção uruguaia, e da boa estréia de Herrera, que formará dupla de ataque gringa em General Severiano. Porém, na primeira partida do uruguaio com a camisa alvi-negra, o Vasco da Gama jogou um balde de água fria no novo hospício de Loco Abreu.

Perder um clássico regional por 6 x 0 não é algo que a torcida absorva rápido. É uma goleada que será sempre lembrada, como tantas outras. E os reflexos disso são vistos no grupo. O Botafogo não tem uma resposta para o grande tropeço, assim como não teve resposta para o Vasco dentro de campo. Com um jogador a menos, Estevam Soares demorou a mexer no time, mantendo o mesmo esquema que já parece previsível – a saída de bola sempre passando pelo Lúcio Flávio. Se com uma igualdade numérica já não é difícil marcar, imaginem com um homem a mais.

Estevam Soares já foi demitido e o nome de Joel Santana ecoa em volta do Bota. Porém, as mudanças não devem parar por aí. Em um time que joga aquilo que o Botafogo jogou no domingo, levando um baile de um Vasco recém montado, o problema não tem como estar apenas no banco. A atitude precisa mudar dentro de campo, não pode continuar sendo a mesma que quase levou a equipe novamente à Série B na campanha de 2009.

Enquanto isso, o Vasco pode fazer a festa. Apesar de todos os erros botafoguenses, ninguém aplica um chocolate desse tamanho sem ter méritos. Dodô, que ainda levantava suspeitas sobre sua condição após mais de um ano sem atuar, mostrou que ainda pode fazer gols – e pelo jeito acumulou alguns enquanto esteve parado. Outro que merece ser citado é o garoto Phillippe Coutinho, de 17 anos, que apresentou o futebol que fez com que a Inter de Milão comprasse seus direitos tão cedo. Assim que fizer 18 anos ele deve se integrar à equipe italiana – um exemplo de como é difícil manter os bons jogadores formados aqui no país.

Um clássico que mostrou um caminho diferente para duas equipes. Para o Vasco, a busca pela evolução, sabendo que o começo foi acertado. Para o Botafogo, mudanças rápidas para evitar um ano jogado fora. Ainda há 11 meses para fazer com que 2010 não seja representado pela goleada tomada em janeiro.

Vasco e Botafogo passam a olhar para caminhos diferentes no início de 2010

Vasco e Botafogo passam a olhar para caminhos diferentes no início de 2010

 *Atualização: o jornal “O Globo” divulgou, agora pela manhã, que Joel Santana já acertou seu retorno ao Botafogo. A diretoria desmentiu o acerto, porém, confirmou que há interesse.

07/01/2010

O que esperar de Roberto Carlos?

Janeiro é tempo de pré-temporada, especulações e contratações. Por isso, no retorno deste pequeno hiato de final de ano, resolvi analisar algumas contratações que considero mais impactantes – por diferentes motivos – no futebol brasileiro.

Para começar, aquela que considero a mais importante até agora: Roberto Carlos foi uma boa opção feita pelo Corinthians?  Manter a leitura →

21/12/2009

Richarlyson, não corte o cabelo!

A polêmica da semana passada foi o aplique no cabelo  do Richarlyson. Já polêmico por natureza, “Ricky” apareceu para uma entrevista com uma cabeleira comprida e estilosa. Gerou o maior comentário, principalmente pelo fato do futebol estar em férias, então tudo que acontece ganha proporções maiores pela falta de notícias de dentro do campo.

Se ficou feio ou bonito, cada um tem sua opinião. Mas fiquei indignado quando ouvi uma notícia de que provavelmente o atleta do São Paulo iria cortar o cabelo ao final das férias por ter recebido ameaças de agressão e até de morte por alguns torcedores do clube. E por isso eu digo que ele não deve cortar o cabelo!

O futebol está sendo dominado por marginais que acabam mandando no jogo por conta de suas atitudes. Atletas são agredidos, diretorias fazem loucuras por causa de ameaças de bandidos disfarçados de torcedores. Comentaristas não podem criticar uma equipe e já são hostilizados por seus torcedores. O futebol não é isso.

O futebol é feito de personagens. É uma arte, é um lazer, um entretenimento. Imaginem o Richarlyson chegando com seu cabelão e arrebentando no ano que vem? Tudo é possível. O ponto é que a magia está se perdendo. Hoje, todos tem que tomar cuidado com as provocações, com as brincadeiras, mesmo que tudo seja feito de forma saudável. O atleta mal pode driblar que corre o risco de sofrer com violência!

Os marginais querem tomar conta do futebol. Não podemos deixar, o entretenimento e o lazer tem que derrubar a violência! E Richarlyson, não corte o cabelo!

Richarlyson e seu visual

Richarlyson e seu visual

11/12/2009

Resgatando a Copa União

O título de Campeão Brasileiro do Flamengo no último fim de semana colocou mais lenha em uma polêmica que vem sendo debatida nas duas últimas décadas: quem é o Campeão Brasileiro de 1987?
Muitos torcedores que nasceram após esta época não procuram se informar sobre as condições nas quais foi disputada a Copa União, e emitem suas opiniões baseados em argumentos postos por seus times e/ou pessoas contrárias ao desfecho daquela situação. Por isso, resolvi resgatar um pouco desta história. Antes de qualquer coisa, quero frisar que o fato de ser torcedor do Flamengo não fará diferença, já que buscarei fontes externas em diferentes mídias – como livros e entrevistas – e as citarei quando utilizá-las.
Boa leitura!

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08/12/2009

EU FUI

Seis de dezembro de 2009. Uma data que nunca vai sair de minha memória, nem da memória de nenhum Rubro-Negro. Um dia em que não só o Rio de Janeiro entrou em êxtase, mas todo o Brasil. Toda a Nação. E daqui a cinco, dez ou cinqüenta anos, eu vou poder dizer que estive no coração dessa festa. Um Maracanã lotado, com quase 90 mil pessoas, quase 90 mil Rubro-Negros.
Quando contava para as pessoas que ia ao Rio ver o jogo, a segunda coisa que mais ouvi além dos “parabéns” foi uma estranha pergunta: “não tens medo?”. E eu só dizia que não… Medo de que? Até hoje, segunda-feira, sete de dezembro, teve gente que me perguntou se não fiquei com medo.
Do momento em que saí de Itajaí, quase às 13h de sábado, senti muita coisa. Alegria por estar indo realizar um sonho. Ansiedade, por todo o contexto. Em 1992 eu tinha três anos, nem sabia direito o que era futebol. Ou seja, nem me lembrava da última conquista equivalente ao que estava por vir. Além disso, a última semana se arrastou como se fossem mais 17 anos de espera.
Depois de tudo isso, depois do embarque em Blumenau, de mais de 800km de viagem, de ir ao Cristo Redentor e à Gávea, a única vez que senti algo próximo de medo foi quando o Grêmio fez o primeiro gol do jogo. Enquanto o Flamengo estava nervoso e perdido – o que era justificável – a molecada tricolor parecia muito na pilha de estragar aquela festa. Os segundos de silêncio após o gol foram dignos de um suspense de dar inveja a qualquer roteirista de filme de terror.
Mas, rapidamente, aquele medo deu lugar ao apoio. De algum jeito, o Flamengo teria que ser campeão. Com gols de pênalti, de canela, de mão, não podia passar desse domingo. Não podia passar mais um ano. Não podia escorregar por entre os dedos depois de estar na nossa mão.
Todos empurraram para dentro aquela bola junto com o David. Através dos pés do Petkovic, todos cobraram, juntos, um escanteio na cabeça do Ronaldo Angelim.
A Magnética jogou junto, para poder fazer a festa depois. Para poder gritar o nome do craque Pet, do Imperador Adriano, do Andrade – sinônimo de tudo que possa representar o Flamengo. Para levantar as bandeiras com o rosto de cada um daqueles guerreiros. Para poder coroar a humildade e a união de um grupo com cara e espírito de Flamengo, que soube driblar a tensão e vencer uma final digna de Flamengo: sofrida, no perrengue.
O grito de campeão brasileiro estava tão entalado na garganta que foi acompanhado também por outro grito, o grito de “Mengão voltou!”. O Mais Querido é, novamente, o Melhor do Brasil. Nós voltamos, depois de escutar muita ladainha, no momento em que ninguém esperava. Deixou chegar…
Respondendo aos que perguntaram: Eu não tive medo. E eu vou dizer com orgulho para os meus amigos, para os filhos, os netos e quem mais quiser saber: EU FUI, e foi a maior emoção da minha vida.

Obrigado, Mengão!

Maracanã lotado em vermelho e preto

Maracanã lotado em vermelho e preto

04/12/2009

A culpa é deles

Pensei bastante. Será que deveria falar sobre a polêmica envolvendo a última rodada do Campeonato Brasileiro?
Os torcedores e dirigentes do Internacinal estão chorando a semana inteira um possível “corpo mole” do Grêmio contra o Flamengo no domingo. Da mesma forma como são paulinos reclamam que o Corinthians entregou para o Fla no último fim de semana.

A verdade é que ninguém precisaria estar chorando, e a culpa é da incompetência demonstrada por estas equipes. O São Paulo perdeu dois jogos, contra Botafogo e Goiás, tomando sete gols. Duas vitórias que consagrariam os tricolores por antecipação. O Inter, por sua vez, já esteve doze pontos à frente do Flamengo durante o Brasileirão, mas foi uma das piores equipes da competição no segundo turno. Aliás, o Inter foi ao Maracanã no primeiro turno e perdeu para o Rubro-negro por 4 x 0.
Nenhuma das equipes que hoje estão atrás do Flamengo precisariam depender de terceiros para conquistar o título. Agora, dependem do Grêmio, simplesmente a pior equipe visitante do campeonato. A equipe que terminou o ano invicta em seus domínios, mas que só bateu o rebaixado Náutico fora de casa. Um caso para o qual não consegui alcançar uma explicação convincente até hoje, já que os tricolores gaúchos não tem uma equipe ruim.
Agora vai ser fácil dizer que o Grêmio entregou, caso perca, mas difícil é, e sempre será, admitir os próprios erros. Admitir uma queda brusca de produção, admitir que vender um jogador tenha acabado com o rendimento da equipe. É muito mais fácil jogar a culpa no colo dos outros.

25/11/2009

Paraná ou Rio de Janeiro?

Paraná ou Rio de Janeiro? Um desses dois estados terá, em 209, uma equipe rebaixada da Série A do Campeonato Brasileiro. Coritiba, Atlético-PR, Botafogo e Fluminense brigam nesta dança das cadeiras, na qual três sentarão daqui a duas semanas. O quarto deverá procurar acento no bonde que leva à Série B.

O jogo que deve definir qual dos dois estados terá novo representante na Segundona é a partida entre Atlético e Botafogo, realizada no Paraná. Se o Botafogo vencer, respira um pouco mais e deixa a briga entre os paranaenses. Se perder, se torna um forte candidato a ocupar a última, mas não menos desagradável, vaga da Zona do Rebaixamento.

A última possibilidade que eu afirmaria seria uma queda do Fluminense. Apesar de ser o pior colocado entre os quatro, o tricolor carioca depende apenas de vencer seus últimos dois jogos, já que, além de Atlético e Botafogo tirarem pontos entre si na 37ª rodada, um confronto direto contra o Coritiba na última rodada caracteriza um daqueles jogos “de seis pontos”. E com o momento que o Fluminense vive, é perfeitamente normal apostar em duas vitórias da equipe liderada por Fred e Conca. Apenas uma derrota muito desmoralizante contra a LDU na final da Copa Sulamericana parece poder desestabilizar este que, pasmem, é o melhor time do Brasileirão nesta reta final.

Pensando já em um rebaixamento, qual equipe teria mais a perder? Todas perdem, isso é óbvio. Perdem renda, que hoje é a base para tudo. E muita renda. Mas quem tem um “plus” nessa situação é o Coritiba. Isso porque, em 2010, o Coxa completa 100 anos de história. Todo um planejamento para erguer o time e fazer uma boa campanha no ano do centenário pode ir pelo ralo com um rebaixamento. E Atlético, Botafogo e Fluminense não têm nada a ver com isso…

19/11/2009

Tensão Verde II: a saga continua

Eu pensei que demoraria um pouco para fazer outro post dedicado exclusivamente ao Palmeiras, mas não teve jeito. A apresentação de ontem representou perfeitamente o estado em que se encontra a equipe paulista atualmente: desequilíbrio.

A briga entre Maurício e Obina reflete a tensão que existe internamente. É possível perceber pelas declarações do zagueiro Danilo após a partida, quando falou em jogadores que não querem nada com nada, disparando indiretas para companheiros. Esta briga, aliás, é perfeita para que o Clube siga a linha de colocar a culpa em casos isolados para justificar o fato de terem jogado o título fora.

Não estou aqui querendo isentar Maurício nem Obina. Mas, como torcedor do Flamengo, sei que o atacante é uma figura tranqüila, sempre na paz. O jovem defensor não teve nem tempo na carreira, até agora, para apresentar um histórico de brigas.

Então podemos concluir que uma ocorrência deste tipo não é um simples fato isolado, mas uma bomba relógio que foi armada após o empate por 2 a 2 com o Avaí. Deste jogo até a queda contra o Grêmio no Olímpico – que seria um resultado normal – foram cinco derrotas, três empates e apenas uma vitória. Campanha digna de uma equipe que está redondinha, pronta para jogar – na Série B.

Quanto maior, maior a queda

Quanto maior, maior a queda

A situação é tão feia que nem o Muricy esbravejou após o jogo. Parecia conformado, apesar de transtornado. Vagner Love ainda não rendeu o esperado – e seu salário deve ser inversamente proporcional – e Diego Souza, o até então craque do Brasileirão, sumiu. O brilho do grupo que tinha a chance de antecipar a festa do título deu lugar à tensão e ao jogo feio, ao medo de perder.

O desequilíbrio tomou conta do Palestra. Deu ao presidente Belluzzo um gancho de 270 dias, rendeu a dispensa de Maurício e Obina e custou, em uma sequência horrível de jogos, o Penta Brasileiro para o Palmeiras.

E que fiquem de olho. Tem mais quatro times querendo ir para a Libertadores de 2010.

16/11/2009

Reta final em blocos

Há algumas semanas, poucas pessoas queriam arriscar palpites quando o assunto era a classificação final do Brasileirão. Hoje podemos ver o motivo. Muita coisa mudou em todos os cantos da tabela, do G4 ao Z4. Mesmo aproximando-se o fim do campeonato, não está menos difícil fazer previsões. Com base no que está contabilizado até agora, podemos traçar algumas análises, e pode ser curioso buscar este texto após o dia 06 de dezembro, quando termina o Brasileirão, e fazer um exercício: observar o que poderia ter acontecido e o que realmente aconteceu. Vou analisar em blocos, começando de baixo para cima…

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14/11/2009

Aposentando o número

Uma notícia curiosa veio ao público na noite de ontem, após a partida entre Miami Heat e Cleveland Cavaliers, jogo válido pela temporada regular da NBA – liga profissional de basquete norte-americana.

O ala LeBron James, um dos maiores astros da liga na atualidade, usa o número 23 desde quando surgiu, ainda no colégio. O atleta nunca escondeu sua admiração por Michael Jordan, o maior jogador de todos os tempos, e o número estampado na camisa era apenas uma das referências ao ídolo. Porém, após a partida, que contou com Jordan na platéia, James anunciou, em entrevista, que pretende trocar seu número na temporada que vem. O motivo? Homenagear Jordan.

Segundo o ala dos Cavs, Jordan merece ter seu número aposentado. Em todos os times. Para LeBron, nenhum atleta da NBA deveria usar o número 23 por respeito a tudo que MJ fez no basquete e pelo basquete. Abaixo, a entrevista do astro:

Como nem todos pensam apenas em respeito e homenagens, algumas pessoas já começaram a especular que este seria mais um sinal de que LeBron deve mudar de equipe na próxima temporada. Outros já comentam que a notícia pode alavancar a venda de camisas do jogador, que perde apenas para o uniforme número 24 do Los Angeles Lakers, pertencente a Kobe Bryant.

A prática de aposentar camisas é comum nos Estados Unidos. Principalmente por existir uma identificação entre os atletas e seus números. Nos estádios de basquete, por exemplo, olhando para o teto você vê banners referentes aos títulos da equipe e, também, cada camisa aposentada por um atleta que marcou época no time.

A 23 de Jordan não é mais usada no Chicago Bulls

Comparando com o esporte mais popular em nosso país: o Vasco da Gama aposentou a camisa 11 em homenagem ao Romário. O América, posteriormente, adotou a mesma homenagem ao Baixinho.