O domingo, 24 de janeiro, marcou o primeiro confronto entre dois dos times grandes do país. Botafogo e Vasco fariam o primeiro clássico do Carioca, mas apenas uma das equipes deu as caras no gramado esburacado do Engenhão.
O Botafogo criou certa expectativa graças à contratação do atacante Sebatián “El Loco” Abreu, da seleção uruguaia, e da boa estréia de Herrera, que formará dupla de ataque gringa em General Severiano. Porém, na primeira partida do uruguaio com a camisa alvi-negra, o Vasco da Gama jogou um balde de água fria no novo hospício de Loco Abreu.
Perder um clássico regional por 6 x 0 não é algo que a torcida absorva rápido. É uma goleada que será sempre lembrada, como tantas outras. E os reflexos disso são vistos no grupo. O Botafogo não tem uma resposta para o grande tropeço, assim como não teve resposta para o Vasco dentro de campo. Com um jogador a menos, Estevam Soares demorou a mexer no time, mantendo o mesmo esquema que já parece previsível – a saída de bola sempre passando pelo Lúcio Flávio. Se com uma igualdade numérica já não é difícil marcar, imaginem com um homem a mais.
Estevam Soares já foi demitido e o nome de Joel Santana ecoa em volta do Bota. Porém, as mudanças não devem parar por aí. Em um time que joga aquilo que o Botafogo jogou no domingo, levando um baile de um Vasco recém montado, o problema não tem como estar apenas no banco. A atitude precisa mudar dentro de campo, não pode continuar sendo a mesma que quase levou a equipe novamente à Série B na campanha de 2009.
Enquanto isso, o Vasco pode fazer a festa. Apesar de todos os erros botafoguenses, ninguém aplica um chocolate desse tamanho sem ter méritos. Dodô, que ainda levantava suspeitas sobre sua condição após mais de um ano sem atuar, mostrou que ainda pode fazer gols – e pelo jeito acumulou alguns enquanto esteve parado. Outro que merece ser citado é o garoto Phillippe Coutinho, de 17 anos, que apresentou o futebol que fez com que a Inter de Milão comprasse seus direitos tão cedo. Assim que fizer 18 anos ele deve se integrar à equipe italiana – um exemplo de como é difícil manter os bons jogadores formados aqui no país.
Um clássico que mostrou um caminho diferente para duas equipes. Para o Vasco, a busca pela evolução, sabendo que o começo foi acertado. Para o Botafogo, mudanças rápidas para evitar um ano jogado fora. Ainda há 11 meses para fazer com que 2010 não seja representado pela goleada tomada em janeiro.
*Atualização: o jornal “O Globo” divulgou, agora pela manhã, que Joel Santana já acertou seu retorno ao Botafogo. A diretoria desmentiu o acerto, porém, confirmou que há interesse.





