Copenhague, 02 de outubro de 2009. O tão esperado anúncio da sede olímpica de 2016 ocorre nesta sexta-feira, após disputadas eleições envolvendo Madrid (ESP), Tóquio (JAP), Chicago (EUA) e nosso Rio de Janeiro.
Celebridades e figuras políticas a postos para a campanha na capital da Dinamarca, todos querendo levar os Jogos Olímpicos para seus países, e junto com a competição, toda a mídia e os investimentos que acompanham este evento de extrema magnitude.
Mas, será que as Olimpíadas trariam tanta vantagem assim para o Brasil?
Em 2007, no Panamericano do Rio, pudemos ver uma grande gastança de dinheiro público. Obras orçadas em um valor X e concluídas com muito mais dinheiro do que havia sido programado. O dinheiro sendo gasto de forma indevida. Não critico exclusivamente os valores, até porque não tenho noção do quanto custa para reformar ou construir um estádio ou complexo esportivo. Mas sei que, quando se gasta a mais do que se havia planejado, o dinheiro precisa sair de outro lugar para tampar os buracos.
Em 1976, a cidade de Montreal (Canadá) contraiu dívidas que, na época, calculava-se que só seriam sanadas no ano de 2002, devido à realização das Olimpíadas. Motivo que fez a população de Los Angeles não querer que os jogos fossem realizados em sua cidade, no ano de 1984. Os Jogos eram um evento deficitário para quem os organizava até aquela época. Então, os realizadores buscaram parcerias com a iniciativa privada. Resultado: Jogos Olímpicos com lucro para a cidade, algo que nunca havia acontecido.
Creio que no Brasil pode ser assim. O país não pode querer levar tudo nas costas, senão estaremos quebrados, e isto é fato. Com patrocínios e parcerias, é possível fazer um belo evento, elevando o nome do Rio, do Brasil, e ainda obtendo lucros. Mas para isso, também deve haver responsabilidade nos gastos, e uma fiscalização forte para que tudo ande na linha. É muito fácil fazer um desviozinho de verba aqui, uma lavagenzinha ali, principalmente aqui no Brasil, e é isso que torna um pouco perigosa a realização das Olimpíadas.
Infelizmente, os problemas sociais do país acabam gerando dúvidas sobre o sucesso deste grande evento, caso o resultado em Copenhague aponte nosso nome como vencedor. Cabe aos profissionais responsáveis assumirem o projeto com ética e responsabilidade, e ao povo deixar o oba-oba de lado e observar de perto os investimentos, para que em 2017 possamos comemorar o sucesso dos Jogos Olímpicos.
1 Comentário
01/10/2009 às 4:47 pm
Muito bom. Gostei do texto.
Pena que acabou de cair minha pauta… risos
um abraço!